Com imagens aéreas de uma cidade é possível extrair uma grande variedade de informações de alto valor. Quais são os exatos limites de cada propriedade, qual a área construída em cada terreno, quais as dimensões de ruas e calçadas em metros quadrados, onde se localizam postes, árvores, semáforos etc. Cada tipo de informação exige uma escala de vôo adequada, que permite aumentar a imagem na tela do computador sem perder a definição, para assim representar um determinado objeto com um desenho fidedigno.
Portanto, a definição da escala de vôo é o primeiro passo de um projeto de aerofotogrametria. Um vôo em escala 1:15.000 (um para quinze mil – 1cm na foto é igual a 15.000cm na cidade) é adequado para ter boa definição de quadras, 1:8.000 para ter boa definição de lotes e postes, e assim por diante. Quanto menor a escala de vôo, mais próximo do chão o avião vai voar, e mais fotos serão necessárias para cobrir uma determinada área, o que aumenta o custo do projeto. No entanto, quanto maior a escala de vôo, menos níveis de informação poderão ser extraídos da foto, e menos valor será gerado com o projeto. Daí a importância dessa etapa.
Uma vez definida a escala é criado o plano de vôo. Com base no mapa da cidade ou da região a ser sobrevoada são definidas as faixas de vôo, que é a rota que o avião vai fazer para cobrir toda a região. Quanto mais alto o avião voar, maior será a abrangência de cada foto, e portanto, maior a largura dessa faixa. Em cada faixa existe uma seqüência de fotos que são necessariamente sobrepostas, pois não basta apenas uma foto de cada área. Isso porque no centro de cada foto se pode ver as ruas, casas e prédios sobre um ângulo próximo de 90º, mostrando o topo das edificações, e nos cantos de cada foto esse ângulo é menor, e esta nova perspectiva mostra parte da lateral das edificações, o que muitas vezes cobre ruas e outras edificações menores.
Assim é projetada a sobreposição das fotos, sendo 60% entre as fotos da mesma faixa e 30% entre as faixas de vôo. Quando se trata de uma região muito verticalizada a sobreposição aumenta de 60% para 80%, diminuindo o efeito de projeção das edificações. Além disso, a sobreposição de fotos aéreas é fundamental para a etapa de restituição, explicada mais adiante. De acordo com a sobreposição dessas fotos, a câmera do avião é programada para disparar no tempo correto de acordo com a altitude e velocidade do avião. Uma câmera aérea possui cerca de 80cm de altura, e o filme dessa máquina tem 24,3cm de largura e 76m de comprimento.
Após efetuar o vôo, o filme é revelado em laboratório especializado e depois é escaneado em um equipamento de alta definição, que chega a capturar até 2,5 micra (1.000 micras = 1 milímetro). Uma vez na sua versão digital, cada foto tem suas cores e contrastes tratados, e só então é enviada para a etapa de aerotriangulação. Esta etapa exige o levantamento em campo de pontos de apoio, capturados com um GPS geodésico que proporciona precisão de milímetros em x (latitude), y (longitude) e z (altura), e a definição de pontos de ligação entre as fotos. O processo de ”aerotri” consiste no uso dessas informações para referenciar as fotos no globo terrestre.
Com todas as imagens corrigidas se inicia o processo de restituição, onde são criados os desenhos que representam as diferentes informações do mapa, como contornos de quadras, divisas de lotes, localização de postes, contorno de edificações, curvas de relevo do terreno etc, de acordo com o objetivo do projeto definido na primeira etapa. Com um óculos 3D, o restituidor visualiza as imagens sobrepostas com o recurso de estereoscopia, o que lhe dá a noção de altura e profundidade, como se estivesse voando sobre a região. Com as curvas de relevo do terreno é criado o modelo digital de elevação do terreno (DTM), a partir do qual se pode gerar um mosaico de fotos corrigidas matematicamente, chamada ortofoto.
Em parceria com o restituidor trabalha o editor, que finaliza o mapa para uso comercial, separando as informações em layers diferentes, inserindo textos de identificação e reparando possíveis erros. Com um novo mapa finalizado, resta ainda inserir as informações de nomes de rua, numeração, mãos de direção etc. Para isso é realizada uma segunda visita em campo, chamada reambulação, onde essas informações são levantadas e todos os detalhes do mapa são verificados, eliminando possíveis erros de restituição e edição. Aqui uma curiosidade: até hoje as equipes de campo da Multispectral já percorreram mais de 1,5 milhões km de ruas para levantamento de dados.
Finalmente uma última etapa de edição utiliza as informações desta última visita em campo, e o mapa final é disponibilizado para venda. É assim que a Multispectral, desde 2.000, é a única empresa do Brasil que produz mapas digitais inteligentes do começo ao fim, desde a definição da escala. Esta é uma diferença muito significativa, que implica na garantia total da qualidade, uma vez que independe de fontes externas, e que garante exclusiva autonomia para produzir mapas realmente atuais.

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